domingo, 9 de novembro de 2014

Cytauxzoonose

Figura 1: Gato doméstico, raça maine coon.
A cytauxzoonose é uma doença que acomete felinos, é causado por um hemoparasita, que afeta em um primeiro momento, as células mononucleares fagocíticas e logo após os eritrócitos (August, 2011; Amstutz, 2014).

A doença foi relatada pela primeira vez nos Estados Unidos, no ano de 1976 (Amstutz, 2014). A infecção por este hemoparasita é muito relatada nos estados do sul dos EUA (Greene, 2012), sendo incomum aparecerem em outras localidades. A um relato da cytauxzoonose no Brasil, onde foi detectada por meio de PCR (Maia, 2013).





Agente etiológico: é causado por um hemoprotozoário, o Cytauxzoon felis (Greene, 2012). Este protozoário é membro da família Theilariidae, e dependendo da fase de infecção pode ser classificado como esquisonte (nas células fagocíticas) e piroplasma (no eritrócito) (Greene, 2012; August, 2011).
Figura 2: Eritrócitos com C. felis (Piroplasma) (Imagem Greene, 2012).

Epidemiologia: a cytauxzoonose pode afetar gatos de qualquer idade, sendo afetados os adultos jovens com mais frequência (Greene, 2012; August 2011). Não é necessário uma imunossupressão para o desenvolvimento da doença e também não existe comprovações de que gatos infectados com retrovírus sejam mais susceptíveis (August, 2011). Também não há relatos de raças mais pré-dispostas que outras (August, 2011). O animal tem que ter contato com o meio externo para que haja o contato com o carrapato que é o vetor (August, 2011). Período de maior incidência é relacionado com verão e primavera, onde o carrapato tem uma maior atividade] (August, 2011).
Figura 3: Amblyoma americanum, carrapato que transmite o protozoário.

Também é importante para que haja a contaminação, o gato doméstico estar em áreas rurais ou florestas onde o Bobcat(Lince) viva, pois ele é o reservatório da doença (August, 2011).
Figura 4: Bobcat (Lynx rufus rufus), animal reservatório do Cytauxzoon felis.


Transmissão: a doença é transmitida pelos carrapatos: Amblyoma americanum e Dermacentor variabilis (Greene, 2012). Essas espécies de carrapato são as transmissoras do c. felis devido ao seu habito alimentar tanto de felinos selvagens quanto domésticos (August, 2011). Então o patógeno é mantido no hospedeiro reservatório, o bobcat (August, 2011). Diferente dos gatos domésticos, no lince o patógeno fica em esquizogonia limitada, onde os sinais clínicos serão manifestados de forma leve a moderada. Na recuperação da infecção os linces se tornam portadores dos piroplasmas pelo resto da vida (August, 2011). Enfim, o carrapato se alimenta do lince e adquiri o protozoário o transmitindo para o gato doméstico (August, 2011). Assim, o gato como hospedeiro terminal, a infecção se manifestará de forma mais grave, levando ao óbito (August, 2011). Há relatos de gatos domésticos, que vivem portadores sem sinais clínicos( forma subclínica).
Figura 5: Ciclo do Cytauxzoon felis (Imagem Greene, 2012)



Patogênese: a doença apresenta uma fase esquizôgonica em macrófagos por todo o organismo (baço, fígado, linfonodos, pulmão e medula óssea), que causa a doença sistêmica e uma fase eritrocítica,que causa anemia de intensidade variável (MaCgavin, 2013). 
Os macrófagos que contem os esquizontes estão com volume aumentado e se acumulam na luz das veias, acabando por ocluí-las (MaCgavin, 2013). Os merozoítos que estão nos macrófagos são liberados e penetram nos eritrócitos (Macgavin, 2013).
A parasistemia se desenvolve e se forma inclusões eritrocíticas na forma de anéis de sinete (piroplasma) (MaCgavin, 2013).


Achados de necrópsia: é encontrado esplenomegalia, linfoadenomegalia e hepatomegalia, inchaço dos rins, edema pulmonar, congestão e petéquias no parênquima pulmonar e distensão dos vasos (August, 2011).
Figura 6: Hepatomegalia e esplenomegalia (imagem Greene, 2012)
 

Hemorragias, petéquias e equimoses são achados comuns em diversos órgãos devido a CID (coagulação intravascular disseminada), que antecede a morte (August, 2011).
Figura 7: Petéquias e equimoses no pulmão de um gato (imagem Greene, 2012).



Figura 8:  Macrófagos na superfície do vaso (ponta de seta)
e célula mononuclear fagocitada obstruindo o lúmen do vasos
(imagem Greene, 2012).

Exame histopatológico: Esquizontes ocorrem dentro do citoplasma de fagócitos mononucleares nos próprios tecidos ou anexos ao endotélio dos canais do lúmen venoso (August, 2011). Órgãos afetados parasitados e oclusão parcial ou completa dos canais venosos por células mononucleares infectadas resultam em marcada congestão venosa nesses tecidos (Greene, 2012; August, 2011).
Figura 9: Esfregaço de sangue de fígado de felino com macrófago parasitado (seta) e por esquizontes jovens (ponta de seta) (Imagem Greene, 2012).





Sinais clínicos: febre,anorexia, ictericia, respiração aflita, urina amarela-escura, convulsões e vocalização (Greene, 2012). A pirexia(febre) entre 39,4ºC e 41, 6º C é um sinal clínico caracteristico da doença, mas em animais moribundos pode ocorrer hipotermia (Greene, 2012).
Figura 10: Gato ictérico.

Diagnóstico Diferencias: Essa doença não tem um sinal patognomônico. Então o diagnóstico diferencial se baseia nas enfermidades que possuam pirexia marcada. As doenças diferencias são: lipidose hepática, colangite, infecção por mycoplasma haemofelis (hemobartonelose), pancreatite, toxoplasmose, FIV, FELV, peritonite infecciosa felina e herpesvírus (August, 2011).
Figura 11: Baço com vaso ocluído por células mononucleares fagocíticas (Imagem Greene, 2012).

Diagnóstico: esfregaço sanguíneo em associação com os sinais clínicos e a epidemiologia compatível e PCR também pode ser considerado como exame diefrencial (August, 2011).

Tratamento: consiste no uso de antibióticos, fármacos para combater os sinais clínicos e terapia de suporte. O prognóstico é de reservado a desfavorável.






Referências

AUGUST, JOHN R.; Medicina Interna de Felinos. 6º ed.- Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
MACGAVIN, DONALD M.; et al. Bases da patologia em veterinária. 5º ed- Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
GREENE, CRAIG E.; Infectuos diseases of the dog and cat. 4º edição, 2012
AMSTUTZ, HAROLD E.; The merck manual veterinary. 10ºed - Roca, 2014
MAIA, Leticia Mendes Pupio et al . Cytauxzoon felis and 'Candidatus Mycoplasma haemominutum' coinfection in a Brazilian domestic cat (Felis catus). Rev. Bras. Parasitol. Vet.,  Jaboticabal ,  v. 22, n. 2, June  2013 . 


Imagens

http://greatcatsoftheworld.files.wordpress.com/2012/04/beautiful-bobcat.jpg
http://www.the-crazy-cat.com/wp-content/uploads/2013/12/Look-At-This-Beautiful-Maine-Coon-Imgur.jpg
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjL0TWdnPw1QrU6BcCmySlULebvkjQkL85AKx9aFw-fovj2LDMzLgRHB81-7m87EJ-Q30G4zSUWPlNCbWiV-OIhcS9KAmxBzq-kKgEodroLdl8oTzNXfAYU67xL-cgqgtuyLqyHjRs6PbQ/s320/100_5721.jpg

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